Arroz – Balanço Semanal: Em 30 dias, cotação do arroz subiu 15% no Brasil

  • 13/08/2020
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  • Categoria(s): Mercado de Arroz |

Cotação do Arroz

O mercado interno do arroz segue com a demanda aquecida em função do aumento do consumo do cereal na quarentena e por este motivo, as cotações do grão seguem bastante valorizadas. Outro fator que tem contribuído para os valores do arroz operarem em altos patamares, é a alta do dólar ante ao real, que faz o produto importado se tornar inviável para os compradores e por conta da oferta retraída dos produtores, os indicadores seguem bastante elevados. Confira também os dados de oferta e demanda mundial do arroz e a cotação do mercado externo:

Arroz Brasil

O preço do arroz em casca, que vinha operando nas máximas nominais desde o início deste ano, agora atingiram recordes reais da série do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, iniciada em 2005. Nessa terça-feira, 11, o Indicador ESALQ/SENAR-Rio Grande do Sul, 58% grãos inteiros, com pagamento à vista, fechou a R$ 73,05/saca de 50 kg, acima do até então patamar recorde real, atualizado para R$ 71,59/saca, que foi verificado em maio de 2008 (a série mensal do Cepea foi deflacionada pelo IGP-DI de julho/2020). No acumulado parcial deste ano (de 30 de dezembro de 2019 a 11 de agosto de 2020), o Indicador registra expressiva alta de 52%.

Segundo pesquisadores do Cepea, o impulso vem especialmente da demanda aquecida. Boa parte das indústrias/beneficiadoras do estado sul-rio-grandense tem interesse em realizar novas aquisições, com o objetivo de repor estoques, mesmo com certa dificuldade nas negociações do cereal beneficiado com atacadistas e varejistas de grandes centros consumidores. Inclusive, em alguns dias, pesquisadores do Cepea verificam certa concorrência entre empresas na aquisição de novos lotes. Esses demandantes também estão atentos aos baixos estoques de passagem. Do lado da oferta, orizicultores, de olho no movimento de alta nos valores, limitam as vendas de novos lotes de arroz em casca no mercado spot, à espera de preços ainda maiores. Assim, esses produtores “fazem caixa” com a venda de outros produtos.

De acordo com o relatório de agosto da Conab, a produção de arroz da safra 2018/19 (de março/19 a fevereiro/20) foi estimada em 10,48 milhões de toneladas, 13,1% abaixo do volume do ano-safra anterior. Para a safra 2019/20 (de março/20 a fevereiro/21), a colheita nacional foi estimada pela Conab em 11,2 milhões de toneladas no relatório de agosto, 6,6% acima da safra passada.

Ainda segundo a Conab, a disponibilidade interna de arroz nesta temporada 2019/20 teve variação positiva de 641,1 mil toneladas, sustentada pelo aumento da produção, especialmente – o estoque inicial registrou queda e as importações podem ter ligeiro aumento. Porém, a previsão é que o consumo interno aumente 521,9 mil toneladas em relação ao período anterior, após ter cedido 1,7 milhão de toneladas em apenas dois anos. É esperado, também, que as exportações somem 139,1 mil toneladas a mais que a temporada anterior. Com isso, a demanda total pelo arroz brasileiro deve se elevar em 661 mil toneladas, superando, portanto, a variação positiva da disponibilidade interna. Como consequência, por enquanto, as estimativas apontam que o estoque final em fevereiro/21 seja equivalente a 2,6 semanas de consumo doméstico, contra 2,8 semanas observadas em fevereiro/20 e 3,1 semanas em fevereiro/19.

Arroz Mercado Externo

Efeitos da severa seca no início do ano ainda reflete em menor oferta na Tailândia. Adicionado a este fato, a valorizada moeda local, o Bath, tem dado sustentação aos preços tailandeses. Como resultado, o país tem perdido competitividade, com os altos valores internos, e a demanda de arroz tailandês vem sendo redirecionada principalmente para o Vietnã.

Expectativa de excelente safra nos EUA e Índia deve ainda intensificar mais a redução dos preços internacionais e dificultar ainda mais a manutenção da Tailândia como segundo maior país exportador.

Oferta e Demanda Mundial de Arroz

Segundo o relatório de agosto de oferta e demanda do USDA, o WASDE. A safra de arroz 2019/20 deverá finalizar com seus estoques finais em 181,67 milhões de toneladas, em função de uma produção projetada em 495,73 milhões de tons e uma demanda total de 490,86 milhões de toneladas.

Já para a safra 2020/21, o Departamento estima uma produção de 500,05 milhões de toneladas, com aumento de 0,87% comparado ao resultado da safra anterior, mas com recuo de 0,51% ante a previsão do mês passado que era de 502,63 milhões de toneladas. Porém, com a projeção de queda na demanda mundial de arroz em 0,39% para 496,53 milhões de toneladas, os estoques finais devem ser maiores, ficando em 185,83 milhões de toneladas.

Na versão do levantamento de oferta e demanda de agosto, a Indía não sofreu alterações nos seus volumes para a safra de arroz 2020/21, devendo produzir 118,00 milhões de toneladas, destinando para consumo 104,00 milhões de tons e exportando 11,00 milhões de toneladas. Assim, os estoques finais devem permanecer em 38,00 milhões de tons.

Já a Tailândia teve seu volume de produção reduzido para 20,00 milhões de tons (-1,96%), mas com queda no volume de exportação em 5,56%, fator que acarretou aumento nos estoques finais que ficaram em 4,39 milhões de tons.

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