Arroz – Balanço Semestral: Em seis meses, arroz chegou a valorizar 40% comparado ao mesmo período de 2019

  • 23/07/2020
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  • Categoria(s): Mercado de Arroz |

Cotação do arroz

De janeiro a junho, o dólar acumulou um aumento de quase 25% no câmbio brasileiro comparando a média mensal do período. Esse cenário, associado ao aumento da demanda de arroz no mercado doméstico, fez com que o produto apresentasse expressiva valorização neste primeiro semestre, atingindo uma alta de 40% em comparação com igual período do ano passado. Confira o balanço do arroz e o que balizou o mercado nos primeiros seis de 2020:    

Mercado do Arroz Brasil

O mercado do arroz foi marcado por uma forte alta nas cotações neste primeiro semestre de 2020, associado principalmente a valorização do dólar ante ao real e o aumento do consumo do cereal no mercado doméstico, influenciado também pelo isolamento social, desencadeado pela pandemia do coronavírus.

Mesmo durante o forte da colheita de arroz safra 2019/20, o cereal se manteve em bons patamares de preço, porque o dólar em alta limitou a importação de arroz de países vizinhos, aumentando a necessidade de aquisição do produto nacional, proveniente principalmente do Sul do Brasil.

O baixo volume produzido na última safra estimada inicialmente em 10,51 milhões de tons, atrelado ao estoque limitado da safra 2018/19 em 322,6 mil toneladas, deram margem para que os produtores de arroz conseguissem preços mais atrativos mesmo no período de colheita, onde a oferta estava mais aquecida.

Nos primeiros meses de comercialização da safra 2019/20, os principais fatores de determinação dos preços foram justamente a paridade de importação e exportação. Tendo como pano de fundo a situação da demanda pelo mercado nacional, que passou a ter mais destaque nos ajustes de preços, a medida que o consumo por parte do varejo ia aumentando, especialmente a partir de março, com o isolamento social.

Em junho, foram realizados ajustes nos estoques de arroz do mercado brasileiro e de acordo com a Conab, em ultimo levantamento de oferta e demanda, a produção de arroz este ano ficou ajustada em 11,126 milhões de tons. O consumo foi ajustado para mais, com 10,8 milhões de tons, o que resultaria em um estoque final de 438,4 milhões de tons, uma redução de 47,05% comparado ao levantamento do mês de maio, mas acima em 11,09% ante os 393,7 mil finalizados em 2019.

Cotação do Arroz

Como o dólar saiu da casa dos R$ 4,15 da média mensal em janeiro e atingiu os R$ 5,41 em maio, o preço do arroz foi se ajustando a medida que o indicador ia crescendo. Sendo assim, todos os meses deste ano, apresentaram uma forte valorização quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

Segundo o Esalq/Senar-RS, em janeiro deste ano, o preço médio do arroz no Rio Grande do Sul fechou a R$ 49,53/saca com alta de 23,30% ante o mesmo período do ano anterior. Em fevereiro e março, os indicadores subiram 26%. Em abril, a cotação mensal foi de R$ 54,46/saca ante os 41,78/saca de maio de 2019. Em maio, o preço aumentou 37,49%, chegando a R$ 60,80/saca em média. Mas foi no mês de junho, que o mercado do arroz apresentou a sua maior valorização, registrando a média de R$ 61,84/saca contra os R$ 43,98/saca em igual período do ano anterior, representando um avanço de 40,61% de aumento.

Aos produtores, a cotação do arroz se mostrou com uma rentabilidade bem maior ao mesmo período do ano anterior. Em seis meses, os indicadores tiveram elevação de 25,75% a 31,76%, no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Apenas o Estado de Santa Catarina é que teve seus indicadores recuados. Confira os dados abaixo:

Arroz Mercado Externo

A comercialização mundial de arroz acabou tendo uma forte retração nos primeiros meses do ano, dado o cenário de incertezas devido a pandemia do coronavírus, que causou forte impacto na China, local onde se originou a doença e também, onde se concentra também a população que mais consome arroz no mundo.

A medida que o coronavírus ia se disseminando, as maiores economias globais foram decrescendo, o que impactou diretamente no mercado das commodities agrícolas.

Por conta da desaceleração das economias, com o isolamento social e paralisação nas fábricas, a demanda por arroz ficou incerta, o que acentuou as quedas, conforme se nota no gráfico abaixo.

Somente no mês de abril, é que os indicadores começaram a apresentar uma recuperação, momento em que os asiáticos começaram a retornar com as atividades comerciais.

Em maio, houve uma correção dos preços no mercado, mas em junho, as negociações voltaram a ter mais volume, com a reabertura de outros países que estavam em quarentena facultativa, o que trouxe mais liquidez a cotação do arroz no mercado externo.

Com isso, os contratos futuros do arroz fecharam com variações mistas neste primeiro semestre na Bolsa de Chicago.

Produção Mundial de Arroz

Com relação a oferta e demanda mundial de arroz, no último relatório do USDA, publicado no mês de junho, a safra 2019/20 tinha uma previsão de produzir 494,29 milhões de toneladas de arroz, com um consumo de 489,83 milhões. O resultado dos estoques finais ficaram projetados em 181,26 milhões de tons, sendo esse volume, também tomado como estoque inicial da safra 2020/21.

Para o próximo ciclo, o USDA projetou um aumento de produção, para 502,09 milhões de tons, mas também reportou acréscimo no consumo mundial, que junto com as exportações, ficou em 542,89 milhões de toneladas, resultando assim em um estoque final de 185,35 milhões de tons, com uma alta de 2,25% ante a safra anterior.

Essa queda possivelmente ainda está associada ao efeito da pandemia do coronavírus, uma vez que para combater a disseminação do vírus, bares e restaurantes precisaram ser fechados em todo o mundo, reduzindo os locais de consumo do cereal e aumentando assim, os estoques disponíveis.

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