Café – Balanço Mensal: Após forte volatilidade, cotação do café arábica e conilon se recupera na reta final de junho

  • 02/07/2020
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  • Categoria(s): Mercado do Café |

Cotação do Café

O mês de junho foi marcado por uma forte volatilidade no mercado do café arábica, que recuou drasticamente nas cotações boa parte do período. Embora menos afetado, o café robusta (conilon), também viu seus indicadores recuarem. Entre os principais motivos que movimentaram os preços, estão a oferta brasileira, demanda externa, além é claro, da cotação do dólar. Confira:

Café Arábica

O dólar comercial abriu o mês de junho próximo dos R$ 5,20 tendo chegado a mínima de R$ 4,86 na segunda semana do mês. Após esse cenário, a moeda-americana se recuperou e passou a acumular valorização, fechando próxima aos R$ 5,50 no dia 30 de junho.

Com um mercado cambial tão volátil, os indicadores do café arábica também se apresentaram da mesma maneira, abrindo a R$ 507,99/saca no dia 01 de junho, chegando a mínima de R$ 465,41 no dia 16 e indo a máxima de R$ 507,79 no último dia de junho, igualando praticamente o preço de abertura do mês.

Na última semana, entre os dias 22 a 29 de junho, a cotação do café arábica fechou com valorização, saltando de R$ 478,47/saca (22), para R$ 500,17/saca em 30/06, contemplando um aumento de 4,54% na variação semanal.

A média mensal operada em junho, no entanto, fechou em R$ 507,79/saca com uma retração de 11,55% comparado a média registrada em maio que foi de R$ 574,16/saca.

Nesta entrada de julho, os índices começaram mais bem posicionados em relação ao mês passado, influenciados pela forte alta do dólar na última semana. Porém, indicadores otimistas sobre a vacina do covid-19, devem desvalorizar a moeda-americana, contribuindo para que os preços recuem. Apenas uma melhora na demanda de café, é que poderá melhorar o cenário de forma mais efetiva para os próximos dias.

Café Conilon

No mercado físico do café conilon, os preços operaram com maior estabilidade durante o mês, mas ainda assim, acumularam uma queda de 4,43% na média mensal. Em junho, o indicador ficou na média de R$ 338,97/saca contra os R$ 354,70/saca registrados no mês de maio.

Na variação mensal, os índices abriram o dia 1º de julho a R$ 346,18/saca, chegando a mínima de R4 331,52/saca no dia 12/06 e atingindo a máxima no último dia do mês, a R$ 352,57, atingindo um ganho de 2,24%.

Por conta dessa alta registrada nos últimos dias, os produtores decidiram voltar ao mercado para fechar alguns negócios.

O que ainda mantem a comercialização do café limitada, bem como os preços de registrarem patamares mais elevados, é a oferta de café brasileiro aquecida no momento, justamente neste período em que a colheita se concentra.

Ainda assim, com a recuperação observada no mercado externo, os cafeicultores estão se sentindo mais animados.

Produção de Café do Brasil e Exportações

Nas lavouras, o clima frio retornou ao cinturão cafeeiro do Brasil, porém sem risco de geadas. Segundo a Somar Meteorologia, uma frente fria chega no fim de semana, neste começo de julho e provoca chuvas sem grandes acumulados na Região Sudeste.

Na sequência, a massa de ar polar deve derrubar as temperaturas, mas não o suficiente para provocar geadas nos cafeeiros. O serviço meteorológico prevê que as mínimas devem variar entre 9°C e 15°C em São Paulo e Minas Gerais nos próximos 15 dias.

As exportações de café contabilizaram um volume de 141,557 mil toneladas no mês de junho, sendo que destes, a quinta semana correspondeu a 38,477 mil tons. O resultado mensal foi inferior em 34,45% comparado ao volume exportado em maio/20 e redução de 16,51% ante o mesmo mês de 2019. A média diária registrada nos 21 dias úteis de junho ficou em 6,740 mil tons.

Café Mercado Externo

Os contratos futuros do café encerram o último mês com forte recuperação no mercado externo, após operarem em uma verdadeira montanha-russa em boa parte do período.

No dia 30/06, a cotação do café arábica em Londres, com entrega para set/20 ficou em US$ 100,05/saca, registrando um acréscimo de 3,89% na variação mensal.

A média mensal de junho, porém, fechou valendo US$ 96,74/saca com retração de 8,01% ante o mês de maio, que havia fechado a US$ 105,17/saca.

Notícias sobre o mercado do café no Brasil

O governo federal, neste ano, adiantou os repasses de recursos aos agentes, reduziu os juros e realizou outras alterações para as operações do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) na safra 2020, que passam a valer aos contratos firmados a partir de 1° de julho.

As mudanças mais recentes constam na Resolução n° 4.824, que, entre outras medidas, atendeu a uma demanda do Conselho Nacional do Café (CNC) para que tenham mais informações disponíveis sobre as liberações do capital do Fundo.

A partir de julho, as instituições financeiras deverão informar ao gestor do Funcafé os mutuários finais beneficiados pelas cooperativas de produção ou que exerçam atividades de beneficiamento, torrefação ou exportação. Isso dará mais transparência para que saibamos o real atendimento desse importante capital em nossas bases.

Também houve alteração nas operações de Comercialização do Fundo, cujo teto financeiro agora passa a ser calculado por cooperado ativo. O limite na operação dessa linha de financiamento foi mantido em R$ 30 milhões para cooperativas de produção, respeitado o limite individual de R$ 500 mil por associado ativo e não mais apenas por associado.

Foram feitas, ainda, mudanças no reembolso da linha de Custeio do Funcafé. Excluíram-se as datas limites de 30 de novembro e 30 de dezembro por Estados e, agora, o prazo é de até 60 dias após o término da colheita, respeitado o limite de 14 meses.

Para a linha de Capital de Giro, a mudança ocorreu nos prazos de reembolso. A partir de julho, os pagamentos não precisam ser mais em quatro parcelas semestrais. Eles poderão ser feitos em parcelas iguais, mas com periodicidade anual, semestral ou quadrimestral, com incidência de juros proporcionais à parcela principal paga.

Repasse aos agentes: De acordo com levantamento realizado pelo CNC, o governo federal repassou, nesta semana, mais R$ 1,155 bilhão do Funcafé para seis instituições financeiras operarem na safra 2020, nas linhas de Comercialização, Custeio, Financiamento para Aquisição de Café (FAC), Capital de Giro e Recuperação de Cafezais.

Com o atual envio do capital aos bancos China Construction, BTG Pactual, Bradesco e Bancoob e aos Sicoobs Coopacredi, de Patrocínio (MG), e Agrocredi, das regiões sudoeste de Minas e nordeste de São Paulo, os repasses do Funcafé na safra 2020 aos agentes totalizam R$ 2,650 bilhões.

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