Melhoramento Genético: IAC faz 133 anos com resultado inédito no melhoramento de citros

  • 29/06/2020
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Melhoramento Genético

O Instituto Agronômico (IAC) completou 133 anos neste sábado, 27 de junho de 2020. A comemoração a distância ocorre no mesmo momento em que o Instituto, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, alcançou um resultado científico inédito na pesquisa de melhoramento genético com citros, uma das mais importantes culturas do Estado. Confira:

O IAC acaba de desenvolver tecnologia voltada ao melhoramento genético de plantas que permite reduzir o tempo de pesquisa para obter uma planta de laranja doce resistente à Xylella fastidiosa, bactéria causadora da clorose variegada de citros (CVC). Esta doença, também conhecida como amarelinho, ataca todas as variedades comerciais de citros, reduzindo drasticamente a produção. O grupo do Centro de Citricultura do IAC identificou um gene promissor, presente na tangerina, que normalmente é resistente a essa doença. Este gene poderá ser usado não só em plantas de laranjas doces, como também em outras culturas afetadas pela X. fastidiosa, atualmente um desafio para o cultivo de oliveira em todo o mundo.

“Agora temos uma planta de laranja com gene de tangerina, que confere resistência à doença CVC”, comemora Alessandra Alves de Souza, pesquisadora do Centro de Citricultura do IAC. Esta é a primeira vez que um gene de tangerina é transferido para a laranja por meio de técnicas de melhoramento genético, sendo identificado seu potencial em conferir resistência a uma doença.

Também em condições controladas, atualmente a equipe realiza testes para avaliar a resistência ao HLB, principal desafio da citricultura mundial. Esse mesmo conhecimento poderá ser adotado futuramente em estudos com oliveiras e ameixeiras, igualmente vítimas da X. fastidiosa.

Durante o estudo, iniciado em 2017, os pesquisadores estudaram um gene de tangerina que tem função importante no reconhecimento do patógeno. Este gene, ao ser transferido por meio de engenharia genética para laranja doce, ativa todo o sistema de defesa da planta. “O gene ativa a resposta de imunidade da planta fazendo com que esta reconheça a bactéria e então acione uma resposta de defesa, que é capaz de conter o patógeno; esse conhecimento científico para resistência à X. fastidiosa é inovador”, comenta a pesquisadora do IAC, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

Sobre esse feito, o diretor-geral do IAC, Marcos Antônio Machado, comenta que o caminho que leva à agricultura do futuro passa pela pesquisa de qualidade, pela transferência de tecnologia e pela inovação, com isso, o melhoramento genético é empregado, agregando cada vez mais nesta evolução. “Na citricultura paulista, dos 465 mil hectares de pomares, 395 mil hectares são de laranja, onde são produzidas 350 milhões de caixas da fruta; é para esse mercado que estamos entregando mais um resultado inédito da ciência paulista que fará a diferença nesse importante segmento do agro nacional”, diz Machado.

Além de reduzir o prazo de pesquisa, que antes era de três anos, para menos de 12 meses, esse conhecimento permite também entender a função do gene estudado, isto é, para que ele serve na planta, que qualidades atribui à cultura.

O grupo das laranjas doces é formado pelas laranjas comercialmente conhecida como Pêra, Valência, Natal, Bahia entre outras, usada para suco assim como para consumo in natura como fruta fresca. “Sendo uma commodity, a quase totalidade do suco de laranja produzido é exportado, colocando o Brasil, e principalmente o estado de São Paulo, como um líder mundial neste seguimento”, ressalta o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira.

A pesquisadora explica que esses cruzamentos entre tangerinas e laranjas ocorrem espontaneamente na natureza. Porém, além do tempo necessário para seleção das plantas originadas do cruzamento, as características agronômicas destas nem sempre são as desejadas. “Na natureza, pode ocorrer de o fruto não ter mais a característica da laranja, às vezes torna-se mais próximo da tangerina ou então acaba ficando uma mistura dos dois frutos, o que muitas vezes não é atrativo ao mercado”, completa.

O que a equipe fez foi adotar a biotecnologia voltada para o melhoramento vegetal para acelerar algo que poderia ocorrer naturalmente. “No processo desenvolvido no IAC, colocamos um gene único de tangerina numa planta de laranja, sem alterar as características desejáveis desta”, descreve a líder do projeto.

O próximo passo da pesquisa será elaborar um portfólio de genes originários de tangerina e de outros citros ou afins. “Geramos um conhecimento científico e tecnológico inovador a partir da genômica, então temos uma nova descoberta de genes promissores, que poderá ser usada no futuro”, resume. Por não se tratar de transgenia, técnica que consiste na inserção de gene de espécie diferente daquela que o recebe, a pesquisadora acredita que, ao se obter uma nova cultivar de laranja a partir desse conhecimento, o produto não sofrerá resistência por parte dos consumidores.

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Conteúdo produzido com base no artigo completo veiculado no site do Governo de São Paulo.

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