Café – Balanço Semanal: Cautelosos à perdas, produtores do café conilon recuam das vendas

  • 23/04/2020
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  • Categoria(s): Mercado do Café |

Cotação do Café

O preço do café conilon tem apresentado índices pouco atraentes para os produtores nos últimos dias, o que os levou a se retraírem do mercado. A queda do preço do café no mercado externo, provocado pelos impactos da pandemia do coronavírus, também acaba deixando incerto em como será o futuro do grão nos próximos dias. Sendo assim, houve uma redução drástica no volume comercializado na última semana. Já o café arábica, aproveitou-se da elevação do dólar, para realizar a fechamento dos negócios. Confira:

Café Arábica

Na primeira quinzena de abril, os índices do café arábica brasileiro operaram bastante estáveis, devido a cautela das retrações notadas nas cotações do mercado externo, especialmente na Bolsa de Londres e de Nova Iorque.

No entanto, no fechamento da última semana, os produtores aproveitaram a alta do dólar, que deixou o café brasileiro mais atrativo no mercado e fecharam diversos contratos com entregas futuras.

Sendo assim, a cotação do café arábica fechou com alta de 0,68% na variação semanal, passando de R$ 584,08/saca no dia 09/04 para R$ 588,06/saca no dia 17/04.

Já nesta semana, o preço do café registrado no dia 20/04 no Cepea/Esalq, sofreu retração de 0,24% na variação diária e ficou cotado em R$ 586,62/saca. No fechamento do dia 22/04 os índices recuaram ainda mais, indo para R$ 585,70/saca, mas ainda assim, a variação mensal é positiva, de 0,71%.

Café Conilon

Os índices do café conilon registraram significativa queda na véspera da páscoa (09) fechando a R$ 324,82/saca. Porém, na última semana, houve recuperação nos índices, que operaram com maior estabilidade, ficando com a média de R$ 329,83/saca entre os dias 13 a 17 de abril.

Neste início de semana porém, os preços voltaram a recuar e fecharam a segunda-feira (20) marcando R$ 328,82/saca com uma retração de 0,32% na variação diária. Já na quarta-feira (22) as cotações diminuíram para R$ 326,32/saca segundo o Cepea/Esalq, resultando em uma queda de 0,21% na variação mensal.

Com este cenário de desvalorização, os produtores têm permanecido retraídos do mercado, uma vez que os compradores tem sinalizado diminuição na proposta dos preços, já que a próxima safra tem ficado cada vez mais próxima, aumentando a oferta do produto.

Outro fator que puxou os preços para baixo, tem sido o baixo desempenho do café conilon na Bolsa de Londres, além da forte queda no preço do petróleo, que desvalorizou não só o preço do café, mas de outras commodities agrícolas nesta semana.

Produção de Café no Brasil

Neste momento, as atenções dos cafeicultores brasileiros começam a ser direcionadas para a colheita da safra de café 2020, que está iniciando. As preocupações são mais do que justificáveis, pois a implementação de medidas de isolamento, que vem sendo colocadas em prática pelos agentes públicos e privados para conter a pandemia do coronavírus, deverá afetar o desenvolvimento natural das atividades nas lavouras, haja vista a baixa disponibilidade de mão de obra para executar as tarefas de colheita e beneficiamento do produto.

Em face das medidas que vem sendo adotadas pelos órgãos do governo para a prevenção da Covid-19, a Conab decidiu alterar a programação do acompanhamento da safra de café 2020. Assim o levantamento de campo que seria feito pelos técnicos no início de maio, conforme cronograma previsto, será realizado no fim de maio e início de junho. Com isto, a divulgação, que seria feita no dia 17/05, passa para 18/06.

Café Mercado Externo

Na última semana o preço do café em Londres (ICE Futures) sofreu uma retração de 2,22% na média semanal, ficando cotado a US$ 116,18/saca.

Na variação semanal, os índices registrados no dia 17/04 ficaram em US$ 115,10/saca com queda de 3,20% quando comparado ao fechamento do dia 09/04 a US$ 118,60/saca.

Já na CBOT, os índices abriram essa segunda-feira (20), apresentando recuo de 5% nos contratos de mai/20 fechando a US$ 113,65/saca em 20/04 contra US$ 119,75/saca em 13/04.

Essa desvalorização foi influenciada pelo mercado, que segue pressionado de forma negativa pelos efeitos da pandemia do coronavírus, que entre os seus piores impactos, já está comprometendo o desempenho da economia mundial.

Mas ainda há previsão de uma melhora nos índices nos próximos dias e um sinal de recuperação já foi notado em Londres hoje, com os índices dos contratos futuros de jul/20 operando a US$ 121,00/saca elevando em 1,63% os preços do grão na variação diária.

Entre os motivos que podem ajudar na recuperação dos preços, estão a curta oferta de café de tipos mais finos, da redução paulatina dos estoques certificados da Bolsa de Nova Iorque (que esta semana atingiu 1.878 mil sacas) e também dos estoques físicos em todo país que é o maior consumidor mundial do produto e, por último, os agentes e operadores do mercado já esboçam preocupações com relação as dificuldades que terão os produtores para processar os trabalhos de colheita da safra 2020, que começa agora no Brasil e em setembro nos demais países produtores.

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