Abimilho se esforça para reconquistar o consumo humano dos derivados de milho

  • 31/10/2018
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  • Categoria(s): Derivados |

Assim como todo o mercado de milho e dos derivados, a Indústria voltada para o consumo humano também sente e segue na estagnação. O motivo não seria tanto os preços, mas, sim, a demanda final, do consumidor. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria do Milho, Nelson Arnaldo Kowalski, que afirma estar lutando para mudar esse cenário.

Por Najia Furlan

Segundo ele, o setor sentiu e ainda sente a crise que fez diminuir o consumo per capita de derivados de milho. “O setor está tendo uma capacidade ociosa razoável, estamos em busca de agregar valor para reverter esse quadro”, comenta.

Sobre o valor a se agregar aos produtos a base de milho, o presidente da entidade fala em produção de refeições mais rápidas, produtos que agreguem sabor e que tragam o consumidor mais jovem para o consumo de produtos de milho.

Do volume de milho produzido pelo Brasil, 7,9% é destinado para a indústria; e 3,9% para o consumo humano. De acordo com Kowalski, a indústria de derivados de milho para alimentação humana está bastante pulverizada. Teria um núcleo importante no Paraná, Goiás e no Nordeste (Bahia, Pernambuco, Paraíba). No centro-sul se concentra um núcleo importante de moagem, voltadas para a área industrial (cervejarias, mercado de amido e ração).

“Indústria está com produção estagnada na ordem de 8,6 milhões de toneladas (6,7 milhões da indústria de moagem a seco e 1,9 milhões moagem úmida de consumo humano), já há algum tempo. O consumidor final brasileiro não tem consumido mais tanto derivado de milho, assim como demais carboidratos. Então, temos que inovar, trazer receitas novas para reconquistar esse mercado”, comenta Kowalski.

Um dos proprietários da Kowalski Alimentos, com unidades em Apucarana e Goiás, Kowalski assumiu a presidência da entidade este ano e permanece pelos próximos dois anos. “Minha missão é levar mais produtos de milho para a mesa do brasileiro. Queremos melhorar o consumo per capita de produtos de milho no mercado nacional”, afirma.

Exportação

Sobre as exportações do setor de moagem, o qual a Abimilho representa, Kowalski afirma que ainda são pequenas. “São razoáveis. Tem algumas empresas que atendem nichos de mercado com produtos não transgênicos; outros atendem alguns países da África com produtos básicos populares. A indústria de milho, como um todo, no Brasil e mundo afora, são mais voltadas ao mercado interno”, afirma.

A dificuldade para exportação, segundo o presidente da Associação, seriam as restrições e barreiras de alguns países a produtos alimentícios. “Estamos trabalhando para tentar inserir nossos produtos nesses acordos bilaterais que estão sendo retomados agora. Esse é um dos nossos objetivos: incluir produtos de milho, sem tarifa, para Coréia; pegar cota razoável para União Europeia; reabrir negociação com o Reino Unido. Estamos tentando colocar os nossos produtos com tarifas preferenciais”, afirma.

Desafios

Para 2019, com novo governo, Kowalski diz esperar que essa recessão passe. “Que o consumo volte a crescer como um todo, para que possamos diminuir nossa ociosidade, ampliar a produção e melhorar a exportação”, conclui.

Sobre o milho no Paraná

O Paraná é o 2º produtor de milho do país. No Estado foram colhidas quase 9 milhões de toneladas de milho na Safra de Inverno ou Safrinha (2018). Desse volume, segundo o Deral, metade já foi comercializada. Apesar de ainda estar com preço 30% maior que o mesmo período do ano passado, a saca do grão na casa dos R$28 é considerada baixa para o produtor que chegou a ver esse valor passar dos R$30/ R$40.

“O mercado, como um todo, mesmo com uma produção brasileira menor, encontra-se abastecido, com problemas pontuais. O cenário desenha-se para preços menores e consumo menor ao final do ano”, afirma o especialista do departamento, Edmar W. Gervásio.

Sobre a primeira safra, que já está 90% plantada no Estado, Gervásio afirma que esta teria virado “uma safra de nicho”. Ele explica que “quem planta normalmente tem uma ótima estrutura e obtêm ótimas produtividades”. “Normalmente esta safra abastece a cadeia de suínos e aves do Estado, sendo focada na demanda interna do Estado. Espera-se uma produção, em condições normais, de pouco mais de três milhões de toneladas”, afirma.

Da nova safra, ainda no campo, 8% já estaria comercializada.
Assim como todo o mercado de milho e dos derivados, a Indústria voltada para o consumo humano também sente e segue na estagnação. O motivo não seria tanto os preços, mas, sim, a demanda final, do consumidor. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria do Milho, Nelson Arnaldo Kowalski, que afirma estar lutando para mudar esse cenário.






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