Agronegócio chega a perder mais de R$ 2 bilhões todo ano por conta de falhas na logística

  • 07/11/2019
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Um sistema logístico mais eficiente ainda é uma grande necessidade do setor do agronegócio. Anualmente as falhas de transporte e armazenamento chegam a ultrapassar um prejuízo de mais de R$ bilhões no agronegócio, levando em consideração somente o mercado da soja e do milho, que movimenta grande volume de grãos para os portos e para todo o território brasileiro.

Existe um gargalo muito grande no setor de logística voltado para as atividades agrícolas. Todo ano, cerca de 206 milhões de toneladas de grãos, como soja e milho, são transportados no mercado interno e também destinados aos portos. Neste deslocamento, além de todas as dificuldades enfrentadas relacionados as más condições das estradas, segurança e difícil acesso à algumas regiões do Brasil, existe também, o problema do desperdício de grãos no transporte, que anualmente gira em torno de 2,4 milhões de toneladas, correspondendo a quase 1,5% de perdas comparado ao volume total segundo a Conab.

Em relatório divulgado no último dia 5 de novembro, a Companhia Nacional de Abastecimento informou que "O estado que mais contabiliza perdas físicas de soja e milho em termos absolutos é o Mato Grosso do Sul: 646 mil toneladas, equivalente a 1,3% da produção. No Rio Grande do Sul o desperdício representa 1,7% da produção (355 mil toneladas) e no Paraná são perdidas 461 mil toneladas (1,4%). A média do Brasil é 1,3%."

Essas perdas de impacto econômico, ocasionadas pelo desperdício dos grãos não é o único problema. O estudo apresentado também informa que o extravio dos grãos, acabam gerando também perdas ambientais, em função da produção adicional de 40 mil toneladas de dióxido de carbono (CO²) que são lançados à atmosfera.

Entre o caminho da lavoura até os portos brasileiros, que destinam os produtos agrícolas para exportação, o Brasil perde 0,13% do total de arroz, 0,17% de trigo e 0,1% de milho.

O volume de desperdícios no transporte é menor do que o esperado, falou um dos participantes da pesquisa. O problema maior de perdas está na armazenagem.

De acordo com o levantamento, na cultura do arroz, que é produzido com maior volume no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as perdas no armazenamento vão de 1,5% a 4% do total. Já para o trigo, a quebra técnica é de 0,11% a 0,43%.

Alguns valores registrados estão acima do  que é permitido pela Conab, que limite em até 0,3% o desperdício dos estoques públicos em seus armazéns.

O que mais limita hoje os produtores, são o alto custo de logística  no Brasil, que chega a custar 3 vezes mais que o preço praticado nos Estados Unidos e Argentina, por exemplo. Em 2017, o preço para escoar uma tonelada de grãos aos portos teve um custo de US$ 90,00 no Brasil, enquanto que na Argentina saiu por US$ 43,00 e nos Estados Unidos ficou em US$ 26,00, segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Este fator acaba por contribuir fortemente no alto custo de produção, que acaba elevando o preço das commodities brasileiras, deixando o Brasil fora da competitividade do mercado, em função de cotações menos atrativas que os demais países que comercializam as mesmas commodities.

O setor de logística ainda é um grande desafio a ser melhorado no Brasil e isso, só será possível se o serviço for realizado em conjunto, com a revitalização das estradas, menores tarifas de pedágios e incentivos à criação de novos modais de transporte, que podem desafogar as rodovias e otimizar os processos de escoamento.

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Conteúdo baseado no texto “Falhas logísticas no escoamento custam mais de R$ 2 bilhões ao agronegócio” de Andrea Torrente para a Gazeta do Povo.

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