Ponto de Vista: saudabilidade e sustentabilidade, gatilhos da tendência global da indústria de alimentos sob a ótica do presidente da ABIMAPI

  • 01/11/2019
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  • Categoria(s): Notí­cias Populares |

Claudio Zanão, presidente executivo da Abimapi

Dados do IBGE revelam que o Brasil segue como player de relevância mundial na produção de alimentos, com maior superávit na balança comercial agrícola. O segmento da indústria de alimentos representa quase 10% da fatia do PIB brasileiro, com receita de R$ 656 bilhões e gera em torno de R$ 1,6 milhão de empregos diretos no país. De acordo com levantamento do setor, a indústria de alimentos processa 58% de toda a produção agropecuária brasileira. As  aquisições de matérias-primas pela indústria de alimentos prosseguem nos mesmos patamares, tendo as Proteínas Animais 100% de participação, seguido da Cadeia de Trigo e Cadeia do Arroz,95%.

A cadeia do trigo permanece com forte representatividade na indústria de alimentos. Tanto é verdade que, segundo a ABIMAPI (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados), a fabricação de biscoitos ganha cada vez mais destaque nos lares brasileiros, com  99,7%  de presença. Os biscoitos ganharam, inclusive, uma data nacional específica no calendário: 20 de julho.

O Brasil também se destaca como  segundo maior exportador de alimentos industrializados do mundo.  Segundo a ABIMAPI, o cenário internacional é bastante promissor: durante o primeiro semestre deste ano, as três categorias representadas pela entidade exportaram 32,9 mil toneladas de produtos e movimentaram US$ 60,3 milhões em vendas. Foram mais de 80 países nos cinco continentes que abriram as portas para os produtos brasileiros.

O  “Ponto de Vista”  desta semana traz uma entrevista exclusiva com o presidente executivo da ABIMAPI, Claudio Zanão, para saber mais detalhes da força do associativismo, popularidade, tendências e desafios da indústria de alimentos -  aqui representada pelas categorias de alimentos do bojo da entidade -   frente aos novos hábitos de consumo dos brasileiros com  o controle mais moderado do orçamento familiar.

AFNews -  Quais são os principais gatilhos dessa tendência global, na indústria brasileira de alimentos?

Pres. Abimapi - Analisando o setor em que atuamos, produtos com grãos integrais, com baixo teor de sódio, sem adição de açúcares, sem lactose, por exemplo, são opções que ajudam as pessoas a colocarem em prática hábitos de vida mais saudáveis e estão se tornando tendências de consumo. Além disso, a preocupação com a sustentabilidade também vem norteando a tomada de decisão no momento de compra. A indústria já está engajada com a causa reformulando embalagens e ingredientes; atualizando modelos de negócios e integrando a sustentabilidade nos pontos de contato com consumidores. Portanto, nos próximos anos podemos esperar marcas que se preocupem cada vez com questões relativas à ética e com os impactos no meio ambiente. 

AFNews - Os atacarejos são um fenômeno que nos últimos anos explodiu no Brasil, será que haverá fôlego em 2020?

Pres. Abimapi - Sim. Acreditamos que os preços baixos sempre serão um atrativo.  Os atacarejos terão que mudar também para atender melhor sua clientela. Por exemplo, os carrinhos adequados a compras de mulheres que são a maioria no atacarejo. Com a melhora do poder aquisitivo, deverão estar preparados para manter seus clientes com preços e serviços.

AFNews - Como a indústria se preparou para atender às novas demandas de mercado?

Pres. Abimapi - A indústria de alimentos, desde seus primórdios, trabalha para desenvolver alternativas que atendam às novas demandas utilizando pesquisas de mercados, networking em feiras de alimentos em busca de novas tendências, investimento em novidades tecnológicas. Observando os últimos avanços na oferta de produtos, deparamo-nos com uma grande variedade de alternativas para atender o consumidor como produtos light, diet, zero açúcar, zero gordura, sem glúten, sem lactose e integrais, por exemplo.

AFNews - SAUDABILIDADE, até que ponto o consumidor brasileiro se preocupa com o perfil nutricional dos alimentos industrializados?

Pres. Abimapi - Os consumidores mudaram. Mais informados e mais conscientes, eles, exigem que a indústria seja transparente e informe em detalhes a origem de seus produtos. Para responder a essa demanda de saudabilidade, a indústria, a partir de pesquisas e implementação de novas tecnologias, tem desenvolvido inúmeros produtos com características funcionais e maior densidade nutricional. Muitos alimentos ganharam versões com menos calorias ou com adição de proteínas, fibras, vitaminas e minerais. 

AFNews - Sódio e  Açúcar, quando em excesso, são dois grandes vilões, inclusive já existem acordos firmados com o Ministério da Saúde para a redução desses ingredientes em diferentes categorias de alimentos. Qual o andamento disso e o que se pretende, de fato, com tais medidas?

Pres. Abimapi - O acordo de redução de açúcar foi assinado em 2018 e pretende reduzir 144 mil toneladas de açúcar de bolos, misturas para bolos, produtos lácteos, achocolatados, bebidas açucaradas e biscoitos recheados até 2022. O monitoramento será feito a cada dois anos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo a primeira análise no final de 2020.

O acordo de redução de sódio começou em 2011. Em 2017, foi alcançada a marca de 17 mil toneladas de sal retiradas das prateleiras dos supermercados e, consequentemente, da alimentação da população. Foram mais de 30 tipos de alimentos reduzidos em teor de sódio. A meta é retirar 28,5 mil toneladas até 2020.

Os acordos irão ajudar a melhorar a conscientização da população na busca de alimentos mais saudáveis. O apoio da indústria na redução do açúcar e sódio permitirá que as pessoas busquem um estilo de vida equilibrado e, consequentemente, na diminuição de enfermidades do coração, rins, vasculares e no controle da diabetes, por exemplo.

AFNews -  A Abimapi e a Anvisa estão em busca de um consenso sobre a definição técnica da farinha integral no rótulo frontal de produtos que tenham em sua composição o produto. Em que pé está essa regulamentação?

Pres. Abimapi - A ANVISA já se manifestou informando que a Consulta Pública de integrais será publicada ainda em 2019, em dezembro. Somente na publicação da CP saberemos a proposta de regulamentação da ANVISA.

AFNews -  Pesquisas recentes mostram que a obesidade voltou a crescer no Brasil, principalmente entre adultos com mais de 25 anos. Qual o apelo da indústria de pães, massas e biscoitos para contrapor a imagem de que produtos à base de glúten ou farinha de trigo como matéria-prima, engordam?

Pres. Abimapi - Um dos principais pilares da ABIMAPI é formado pelas questões que envolvem saudabilidade. Participamos com frequência de workshops, eventos de nutrição e trabalhamos constantemente junto aos formadores e influenciadores de opinião. Nosso papel é incentivar e orientar a sociedade de forma inteligente, mostrando que os biscoitos, massas, pães e bolos Industrializados não são os vilões da dieta. Além de saborosos, possuem atributos voltados à saudabilidade e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, fornecendo os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo.

AFNews - Quais sãos os desafios da indústria brasileira para melhorar a competitividade de seus produtos dentro e fora do Brasil?

Pres. Abimapi - O excesso de burocracia, a ineficiência do serviço de fiscalização sanitária e o grande desperdício em todas as etapas de produção, industrialização e distribuição, são alguns dos principais desafios que a indústria de alimentos enfrenta que devem ser trabalhados para desenvolver e melhorar sua competitividade.

Na parte de exportação, as tarifas altas demais e a falta de clareza da legislação brasileira, às regras são barreiras que dificultam a comercialização no mercado externo. 

AFNews - Os biomas brasileiros passaram a ter mais valorização com os novos hábitos alimentares, qual é o Ponto de Vista da entidade?

Pres. Abimapi - Os brasileiros estão buscando itens cada vez mais saudáveis, orgânicos, naturais e saborosos. O setor de orgânicos, que inclui tanto alimentos in natura como industrializados, vêm se desenvolvendo para atenderem esta nova tendência de maneira sustentável, já que cada bioma apresenta diferentes características seja referente ao clima, relevo e biodiversidade.

AFNews -  Dentre todas as categorias de alimentos industrializados abarcados pela Abimapi, quais têm a maior previsão de crescimento para o próximo ano e por quê?

Pres. Abimapi - As categorias de biscoitos e massas alimentícias têm altíssima penetração (quase 100%) e variedade de produtos para todos os gostos e bolsos. A categoria que tem mais possibilidade de crescer são os pães industrializados (penetração 85%), por serem opção de durabilidade maior e praticidade. Acreditamos que podem chegar a 3% de crescimento em volume para 2020.

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