Entrevista Exclusiva - Representante da ABAG fala sobre o tabelamento do frete

  • 02/10/2018
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  • Categoria(s): Notí­cias Populares |

A AFNews conversou com Cláudio Graeff, presidente do Comitê de Logística da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), sobre os reflexos da Nova Política de Frete. Confira entrevista:

Por: Nájia Furlan

A AFNews conversou com Cláudio Graeff, presidente do Comitê de Logística da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), sobre os reflexos da Nova

AFnews - Por que os players têm reclamado tanto da nova Política Nacional de Preços Mínimos de Transporte de Cargas?

Graeff - Primeiramente é preciso deixar claro que a solução da tabela é inconstitucional; segundo, a tabela não resolveu o problema de ninguém, pelo contrário, deixou ambos os lados descontentes, empurrando o problema para o futuro. Além disso, podemos interpretar tal ação como cartel e, até onde sabemos, no Brasil, cartel é crime. Em adição à insatisfação generalizada, a tabela trouxe distorções às práticas anteriores, quando tanto o prestador de serviço de frete como o tomador do serviço chegavam a um acordo quanto ao preço, dentro das possibilidades de cada um, e é importante dizer que todos pagavam a conta pela falta de infraestrutura logística do Brasil. O problema dos custos logísticos no Brasil não poder ser resolvidos com uma tabela, principalmente porque ela não contempla todos as regiões, e as particularidades e dificuldades desse serviço.


AFnews - Por que a nova medida será insustentável para o país, como defendem os especialistas?

Graeff - A experiência dos tempos do governo Sarney deixou isso bem claro: o tabelamento é impraticável. Em uma economia de livre mercado, os negócios tendem ao equilíbrio, onde o que prevalece é a livre concorrência e a lei da oferta e da procura. O Brasil hoje tem um excesso de oferta de frete na ordem de 30%, razão pela qual quem consegue oferecer o melhor preço leva o contrato. Interferir nessa regra significa deslocar o equilíbrio através do esforço em um dos lados, e esse esforço cobra seu custo enfraquecendo a posição do lado desfavorecido, e temos o ciclo vicioso da derrocada da economia, já vivenciado por nós pelo desabastecimento, inflação galopante, etc. Essas, novamente, experiências já conhecidas e sentidas na pele por nós, em governos passados. Porém, infelizmente, nossos administradores públicos possuem a teimosia de achar que repetindo os mesmos erros, terão resultados diferentes.

AFNews - Quais tendem a ser as consequências dessa nova política de frete para o mercado Agrícola?

Graeff - Não sentimos, ainda em profundidade, essas consequências, até mesmo porque a tabela entrou em vigor após a suspenção pelo STF de todos os recursos. Então, pegou somente parte da safrinha do milho e teve impacto para os fornecedores de fertilizantes, que absorveram os custos, pois já tinham seus contratos assinados. Então, para o cidadão comum, o aumento do frete ainda não chegou com toda a força, quando considerarmos o agronegócio. Para o Agro, no curto prazo, pela indefinição do momento, poderemos ter uma queda na safra de 2019, e, consequentemente, queda nas exportações. No médio prazo, podemos afirmar que será um aumento dos preços dos alimentos e impactos na balança comercial brasileira. No longo prazo, podemos ter sérios problemas, uma vez que o Agro corresponde hoje quase um quarto do PIB brasileiro, quase 20% dos empregos do País e 45% das exportações. Por que disso? Porque o agro é commodity, e quem define o preço, é o mercado internacional e a competitividade do negócio de commodity é o custo. O Brasil já tinha o maior custo logístico entre seus players, com a tabela, vamos nos isolando cada vez mais nessa triste liderança.

AFNews - O que fazer agora que já está em vigor? Tem alguma mobilização para reverter isso?

Graeff - Sim, está em vigor, e o STF suspendeu toda e qualquer ação sobre o assunto, postergando a decisão sem uma previsão. Por outro lado, alguns órgãos governamentais - como o CADE, Ministério dos Transportes, etc - já se posicionaram contra a tabela, o que nos leva a crer que os pareceres técnicos já estabeleceram o que deve ser feito. O que resta, nesse momento, é a politização deste assunto, que na nossa percepção, tende a se resolver após o período eleitoral, ou, quem sabe, no início do próximo governo.

AFNews - Alguma expectativa de mudança em relação ao tabelamento?

Graeff - Sim, se mantida em vigor, terá seus valores acrescidos constantemente, uma vez que estamos em um ciclo de alta do petróleo, e consequentemente aumento dos combustíveis. E aí entramos no contrassenso da tabela, porque ela não observa o lado de quem contrata o frete, o que nos leva a questão que falamos do desequilíbrio do livre mercado.

A lógica, a crença de que as decisões serão sérias e responsáveis, a nossa esperança em um Brasil competitivo com crescimento econômico e oportunidades para todos, nos leva a acreditar que em pouco tempo esse assunto de tabelamento será passado e voltaremos a discutir o que realmente interessa, que é o crescimento sustentável do agronegócio, seus desafios e oportunidades.

 A AFNews conversou com Cláudio Graeff, presidente do Comitê de Logística da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), sobre os reflexos da Nova Política de Frete.

 





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