Melhoramento Genético: Nova descoberta na cultura do trigo, encontrado novo vírus que provoca a doença do mosaico

  • 16/07/2019
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  • Categoria(s): Notícias Agrí­colas |

Melhoramento Genético do Trigo

O mosaico do trigo é uma das doenças que mais afetam a cultura no Brasil. Capaz de causar perdas de até 50% à produtividade de trigo, o vírus do mosaico é um problema que atinge vários países...

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Até há pouquíssimo tempo, a doença do mosaico do trigo era associada a somente dois vírus: Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV) e Wheat spindle streak virus (WSSMV). No entanto, um estudo realizado pela Embrapa Trigo, em parceria com a Biotrigo Genética, Universidade Federal de Santa Catarina e demais órgãos ligados ao setor de melhoramento genético, identificaram um novo causador da doença: Wheat stripe mosaic virus (WhSMV).

O projeto intitulado como “Análise da população viral e estratégias de manejo para o mosaico comum em trigo no Brasil” acabou descobrindo um novo causador da doença que acarreta tantos prejuízos para a lavoura de trigo. Esta identificação acaba facilitando na geração de novas cultivares melhoradas geneticamente, que sejam resistentes aos três tipos de vírus e que associada as boas práticas culturais, auxiliam na redução dos impactos do mosaico.

Entre os efeitos negativos que o vírus do mosaico pode causar na produção de trigo, estão a redução da produtividade quando as cultivares suscetíveis são semeadas em áreas com inóculo e em condições favoráveis de ambiente. As plantas apresentam sintomas de variados níveis de subdesenvolvimento, lesões nas folhas e colmos, além da redução do desenvolvimento de espigas, limitando o potencial de rendimento da cultura.

Sequenciamento genético

Segundo a Embrapa “Apesar de os primeiros registros de viroses no trigo no Brasil datarem das décadas de 1960 e 1970, quando teve início a expansão da triticultura no País, somente com o avanço da biologia molecular e do sequenciamento tem sido viável identificar corretamente os vírus”.

A descoberta do novo vírus WhSMV só foi possível por meio de técnicas avançadas de sequenciamento genético (Next Generation Sequencing ou NGS). As análises de bioinformática foram utilizadas para auxiliar na junção dos fragmentos da estrutura celular, o que permitiu a montagem do genoma viral. O genoma que se obteve foi então comparado com genomas virais disponíveis em banco de sequências e observou-se que o vírus associado ao mosaico em trigo é 50% divergente dos patógenos já conhecidos.

A Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS) coletou e forneceu amostras para a pesquisa, fazendo o sequenciamento do RNA de oito cultivares de trigo. Plantas que apresentavam os sintomas do mosaico obtidas em outras áreas tritícolas do Rio Grande do Sul e Paraná também foram avaliadas. Esse estudo confirmou a existência do novo vírus. Ainda serão necessários mais estudos que ajudem no esclarecimento sobre a origem do WhSMV, o mapeamento da sua distribuição geográfica, sua variabilidade e como afeta a resistência das plantas.

Um professor participante da pesquisa, que trabalha na área de produção vegetal destacou que: “A caracterização da nova espécie viral propiciou o desenvolvimento de ferramentas seguras no diagnóstico. A identificação correta dos vírus é essencial para apoiar os programas de melhoramento genético e a recomendação de medidas eficazes de manejo”.

Um dos pesquisadores também explica que por ser uma doença de difícil controle e por causar tantos prejuízos, o vírus do mosaico no trigo é uma dos principais focos de pesquisa nos programas de melhoramento do trigo no Brasil, principalmente para o desenvolvimento de cultivares com resistência genética à doença do mosaico.

Próximas etapas

O primeiro passo que era a identificação do novo vírus já foi feito, agora a nova etapa da pesquisa será o sequenciamento e análise da variabilidade da população viral que estão sendo realizados na Udesc, com apoio da Embrapa Uva e Vinho e da Embrapa Informática Agropecuária. A Embrapa informa que “a caracterização fenotípica, a análise da população viral e a avaliação das práticas de manejo estão sendo realizadas em rede de ensaios de campo nas regiões tritícolas do sul do Brasil, executadas pela Embrapa Trigo, Biotrigo Genética, CCGL Tecnologia, OR Melhoramento de Sementes e Fundação ABC”. A duração da pesquisa a campo será de quatro anos, abrangendo ensaios em sete municípios do Rio Grande do Sul e do Paraná.

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Conteúdo publicado baseado na pesquisa dirigida pela Embrapa intitulada “Análise da população viral e estratégias de manejo para o mosaico comum em trigo no Brasil”, publicada em 2017.

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