Grãos: relações de consumo, estoque, produção e exportações globais, segundo USDA

  • 01/07/2019
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  • Categoria(s): Mercado de Grãos |

Como é de costume, todo início de semana,  a equipe AF News traz um panorama da safra atual dos principais grãos (Milho, Soja e Trigo), no cenário mundial e nacional, com a conjuntura de alguns fatores como, clima,  produção, estoque, preços, exportação e consumo. Sob a credibilidade dos índices e projeções apontados por órgãos competentes como Conab, USDA, Cepea, Deral e outros, que evidenciam a real situação do setor agrícola  no Brasil e no mundo. Aproveite para ficar bem informado com as notícias do agronegócios,  e  fique por dentro das análises diárias de mercado com a nossa equipe. Se torne um assinante AFNews.

Cenário EUA - Os produtores americanos estão enfrentando o que se pode chamar de ‘pior início de safra dos últimos anos’, sem terem tido nenhum tipo de cooperação do clima. É que as chuvas não deram trégua e a semeadura da safra atrasou por conta do aguaceiro que caiu do céu. O resultado foi que muitos agricultores plantaram fora da janela ideal e outros desistiram de plantar o cereal.

De acordo com o relatório de área do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na última sexta-feira, (28), a área plantada com soja nos Estados Unidos na temporada 2019/2020 deverá totalizar 32,3 milhões de hectares. 

O número representa uma queda de 12,5% na comparação com a área total semeada no ano passado, quando os norte-americanos cultivaram 36,9 milhões de hectares. O indicativo  ficou 1,9 mi abaixo da expectativa e todos os 31 estados produtores vão reduzir a área.

Para o milho, a área plantada deve ser de 37,1 milhões de hectares, frente aos 36 milhões de hectares registrados na temporada anterior. O número veio acima do que o mercado agrícola estava projetando, que era de 35 milhões de hectares para o cereal.


MILHO - Segundo o USDA, as estimativas globais, apuradas em seu 2º. levantamento para a safra 2019/20, foram o recuo de 1,13 para 1,10 bilhão de toneladas  para a produção mundial de milho. Em relação à safra 2018/19, o volume estimado é 1,9% menor. Já, para o consumo, o órgão projetou um volume de 1,13 bilhão de toneladas, um novo recorde, superando em 8,4 milhões de toneladas o ciclo passado.

Os estoques finais foram projetados em 290,5 milhões de toneladas, isto é, o equivalente a 10,7% menores na comparação com a safra anterior. As principais reduções foram para as previsões dos estoques de milho dos EUA, China, Argentina e Brasil.

As exportações globais também devem sofrer recuo de 1,7% ante a safra passada. A estimativa em números não deve ultrapassar os 169,8  milhões de toneladas.

Produção Mundial

No cenário mundial, junho deve registrar queda acentuada para a produção mundial de milho em 2019/20, puxados principalmente pela menor colheita nos EUA e China. Para os EUA, foi estimado um recuo de 9% na produção de milho na virada do mês.

Os atrasos de plantio vistos até o início de junho influenciaram diretamente nas perspectivas de queda na produtividade.  No caso do Brasil, para a safra 2018/19, a produção teve aumento de 1%, baseado nas estatísticas mais recentes do governo.

Consumo Mundial

O consumode milho nos EUA em 2019/20 foi revisado para baixo, e recuou 2% em relação ao volume previsto no levantamento anterior, com base na redução do consumo de farelo e nas exportações do país. Já em relação a safra 2018/19, a queda foi de 0,8%, ficando em 307,4 milhões de toneladas. Os números para a estimativa da demanda na União Europeia, Brasil e China não sofreram alteração em relação a maio.

Exportações mundiais

As principais mudanças no relatório no que se refere ao comércio global do cereal em 2019/20, incluem aumentos nas exportações da Argentina e da Rússia. No caso da Argentina, o órgão elevou os embarques em 3,1% em relação ao mês anterior. Em comparação a safra passada, as exportações devem cair 1,5%.

As exportações do milho americano recuaram 6,0% em relação ao volume previsto em maio, e ficaram em 54,6 milhões de toneladas. Para a safra 2018/19, o número também foi revisado para baixo, em 4,3%. Para o Brasil, os números não foram alterados.

TRIGO -  O USDA, em seu 10º levantamento, divulgou a estimativa de produção  para a safra mundial de trigo de 653,6 milhões de toneladas. Este número é  24 milhões de toneladas menor que o 1º relatório apresentado pela instituição em maio/de 2012. Essa produção é 43 milhões de t inferior  do que a colhida em 2011/12, devido principalmente a uma diminuição da área plantada e da produtividade em países como a Rússia e a Austrália.

Consumo/Estoque - Em relação ao 1º levantamento, o USDA reduziu em 13 milhões de toneladas sua previsão para o consumo mundial, devendo atingir 681 milhões de t, reflexo da queda na utilização do trigo na composição da ração animal. Para os estoques, está previsto 673,4 milhões de toneladas.

Exportações -  Para as exportações mundiais, a redução divulgada pelo USDA é de 5,35 milhões de toneladas entre o 1º e o 10º levantamento, totalizando 131,7 milhões de toneladas, o equivalente a 94 dias de consumo mundial, o menor volume desde 2007/08.

Importações -  O Brasil é o 2º maior importador mundial (7,7 milhões de t), ficando atrás do Egito que importa 9,5 milhões de t e seguido pela Indonésia, com 6,6 milhões de toneladas. O acompanhamento desse produto é essencial, por ser um importante insumo da indústria de alimentos (pães e massas) e por influenciar a inflação do país (IPCA).

SOJA - No que se refere à produção, em seu 2º. levantamento para a safra mundial de soja 2019/20, o USDA apresentou poucos ajustes em relação ao relatório anterior. Em junho, a previsão da produção mundial de soja ficou em 355,4 milhões de toneladas, o mesmo que 6,7 milhões de toneladas a menos, se comparada a safra passada.

O consumo foi projetado em 355,3 milhões de toneladas, e representa um crescimento de 2,3% em relação ao ciclo passado. Com o equilíbrio entre oferta e demanda, os estoques devem continuar nos mesmos patamares da safra 2018/19, totalizando 112,7 milhões de toneladas. O volume representa 31,7% da demanda mundial.

Já as exportações globais do grão para 2019/20 foram estimadas em 151,1 milhões de toneladas. Os embarques, foram considerados relativamente estáveis em relação a safra 2018/19 e ao relatório anterior.

Produção Mundial

O USDA manteve a produção brasileira de soja em 123,0 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 6,0 milhões em relação à safra passada. Se confirmada, o Brasil passará a liderar a produção mundial.

No caso dos EUA, apesar do clima adverso ter desacelerado o plantio dessa temporada, a previsão da colheita americana para a oleaginosa ficou inalterada em relação ao relatório anterior. No entanto, o volume é 8,7% menor em relação ao safra 2018/19, influenciado, entre outros fatores, pelo efeito colateral da disputa travada comercialmente com os chineses.

Consumo Mundial

Em relação ao levantamento anterior, não houve mudanças expressivas no consumo de soja. A China, maior consumidora mundial da commodity, deve apresentar um tímido crescimento de 0,6% no comparativo com a  safra passada, a razão disso tem  a ver com a disseminação da Peste Suína Africana(PSA), que dizimou boa parte do rebanho de porcos.

Para a Argentina, estima-se  uma demanda de 52,2 milhões de toneladas, um acréscimo de 6,6% sobre a temporada anterior. No caso do Brasil, o consumo registrou expansão de 2,5% em relação a 2018/19.

Exportações Mundiais

As exportações americanas de soja para a safra 2019/20 tiveram o número  mantido em 53,1 milhões de toneladas, crescimento de 14,7%, se comparado à temporada passada. Para o Brasil, o órgao manteve a redução de 4,5% nos embarques da oleaginosa em relação ao ciclo anterior.

No caso da Argentina, as exportações de soja permaneceram inalteradas em relação a maio. Já as vendas de 2018/19 sofreram acréscimo de 1,5 milhões de toneladas.

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